quinta-feira, 14 de maio de 2009

Mentes brilhantes



A Matilde e eu gostamos muito deste jogo. A versao que aqui temos chama-se Memo, inclui 16 pares de cartas e está recomendada para mais de dois anos.
Mas a Matilde é um fenómeno (mais do que de memória, acho que é de concentraçao que se trata) e ganha-me sempre, sem que eu faça nada para perder, por uma diferença que normalmente varia entre 6 a 8 pares.
Quem agora se está a rir deve estar a viver de recordaçoes de infancia. Com certeza ainda nao foi atingido por esta devastadora experiencia que é a paternidade, mas pode sempre visitar um sobrinho ao final de um dia de trabalho, e desafiá-lo para uma partida. Conversamos depois.
Adiante. Agora que me vi confinado por uns dias com a menina, achando-se ela derrubada pelo Chickenpox e pelos anti-histamínicos e eu descansado por nao ir trabalhar, achei que tinha chegado a oportunidade de me desforrar de tantas e tao expressivas derrotas. Nomeadamente, empatando um jogo...
Nop. Os olhos pesam-lhe, nao festeja nem faz pirraça como antes, mas humilha-me da mesma forma. Mais, na verdade!

terça-feira, 12 de maio de 2009

A Matilde todos os dias traz alguma coisa da creche

Chickenpox, agora já sabemos, é como os ingleses chamam à varicela.
A estirpe aqui é só um pouco mais grave, porque a casa dos avós fica mais longe.

sábado, 9 de maio de 2009

Compreender a Arte



Dos tempos em que a Arte ainda se percebia, habituámo-nos a pensar que, primeiro, existia um modelo e, naturalmente depois, uma representaçao artística do modelo.
Para conterraneos e contemporaneos, certas obras terao sido, literalmente, re-apresentaçoes de realidades suas conhecidas. Mas, à medida que aumentam as distancias a que está o observador, a possibilidade de conhecimento directo do modelo é cada vez mais remota.
Claro que, desde entao, a humanidade cresceu imenso. Está adulta, e aprendeu a olhar para a arte de per si. Ensinaram-nos que um quadro é um quadro é um quadro. Convenceram-nos de que nao era preciso conhecer o modelo para apreciar o quadro (e, a alguns, até convenceram que nao era preciso modelo para fazer o quadro).
Muito bem. Assumo que sou um bocado básico, e nao vou por-me a discutir isso. Digo só que, pela minha parte, nunca tinha percebido o valor do Constable até ter ido ver o Lake District.
E, já agora, posso acrescentar que aqui em Inglaterra me aconteceu precisamente o mesmo com a Venus de Willendorf.

Lake District



A conjugaçao de factores nao podia ser mais propícia: início de mes, fim de semana prolongado, previsao metereológica razoável. Fomos de passeio; seguindo conselhos que já trazíamos daí, mas que muito foram reforçados por aqui, para os Lakes.
O Lake District, nome oficial, é o maior parque natural de Inglaterra: regiao de montanhas, vales, vegetaçao, cascatas, rios e, claro, lagos. Uma paisagem ora abrupta ora amena, que varia constantemente ao longo do dia com mudanças súbitas e radicais das condiçoes atmosféricas. Muito, mas mesmo muito, bonito.
Para mim, foi também muito revelador. Dois dias ali fizeram-me perceber mais do Romantismo ingles do que um trimestre da História das Artes. Ruskin, Constable e Turner tornaram-se evidentes. William Wordsworth e Beatrix Pottter vieram por acréscimo. Estou adepto das visitas de estudo.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Aniversários

Por culpa do Agosto, Maio é um mes cheio de aniversários.
A Ana esteve a mostrar-me a lista dos familiares e amigos comuns, e praticamente nao há um dia em que nao tenha que telefonar para Portugal. Mas o que mais me preocupa é que eu nunca cheguei a fazer a minha própria lista, e provavelmente vou esquecer-me de alguém, quase de certeza muito querido.
Tenho pensado nisso, e talvez tenha encontrado uma soluçao. Se nao se importassem, podíamos combinar que todos os meus amigos passavam a fazer anos no mesmo dia. Eu nem ia trabalhar; começava de manhazinha no A e seguia até ao Z, sem deixar ninguem de fora.
Que tal? Tem tudo para funcionar... E, antes que estale uma discussao sobre a melhor data para as celebraçoes, deixem-me desde já propor o dia de anos da Ana. Só para garantir que nao me esqueço.

Destaques

Esta semana, o coisinho voltou a estar em bom plano.
Eu próprio nao estive nada mal, aqui na coordenacao de umas especialidades, mas os media voltaram a ignorar o meu desempenho. Se calhar, ponho um brinco.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Bicicleta



Foi já há vários meses que, imbuídos do nosso melhor espírito ecuménico, entrámos numa venda de garagem da Igreja Metodista, e de lá saímos com esta fantástica bicicleta.
Foi daquelas decisoes impulsivas: era igual a uma que a Ana tinha tido em miúda, e estava à venda por tuta-e-meia. Claro que depois gastámos tres tutas a recuperá-la, mas ainda assim, do ponto de vista estritamente financeiro, até fez sentido.
Por essa altura, embora nao tivéssemos sítio para guardar uma bicicleta, e desconfiássemos que o clima era pouco propício, já nós tínhamos entrado em todas as lojas da especialidade, para ver modelos e comparar preços.

É que a Ana tinha decidido comprar uma, convencida que a usaria duas vezes por dia, no percurso de uma milha entre a nossa casa e a paragem do autocarro para a Bentley. E quando viu esta, com o cesto à frente, percebeu que também podia ser útil para ir ao supermercado, quando o volume de compras nao justificasse levar o carro!
Honra lhe seja feita, tentou. Mas ao fim de cinco dias, já nao sei se por causa da precipitaçao ou por causa da suspensao (abundante a primeira, inexistente a segunda), lá concluiu que ia melhor a pé. A bicicleta ainda passou uma semana no porta-bagagens, mas depois, pela calada da noite, foi transferida para um arrumo comum debaixo das escadas do prédio, e aí ficou todo o inverno, aparentemente sem incomodar (e sem pesar na consciencia de) ninguem.

Entretanto, chegou o bom tempo e os dias começaram a ficar mais compridos. A Sara cresceu aquele bocadinhassim que lhe faltava, e a bicicleta saltou cá para fora outra vez. Primeiro só às voltas no parque de estacionamento, depois em redor do prédio, agora por todo o bairro, até à escola ou ao centro de Nantwich. Para ela, a bicicleta já nao é apenas uma brincadeira: está a transformar-se num meio de transporte.
E naturalmente, quando a Matilde fez anos, tornou-se inevitável...