Sobre a estranha relaçao que os britanicos tem com o resto do mundo, desde a queda do império até à afirmaçao do ingles como lingua universal, passando pelo inegável cosmopolitismo das grandes cidades e pelo surpreendente provincianismo dos nativos, podia escrever-se um blog inteiro.
Neste post, queria só falar de um aspecto particular desse vasto tema, que é a sua total incapacidade para falar uma língua estrangeira.
Embora recentemente as escolas tenham começado a dar preferencia ao espanhol, as pessoas mais velhas (dizem que) aprenderam frances. Ora eu, que já esqueci quase tudo o que sabia, mas ainda guardo da minha mae uma pronuncia digna do Eliseu, farto-me de rir com eles.
Primeiro foi a I.B., coitada, a tentar aconselhar-me a escrever qualquer coisa na frente de um envelope prestes a ser expedido. Como eu nao percebia mesmo, acabou por pegar numa caneta e escrever ela: Par Avion.
Segundo foi o M.G., que é Quiz Master num pub dos arredores, a desafiar-nos: onde é jogado o Open de França em ténis? O J.H., perspicaz, disse Paris; e eu, embora tenha dito tres vezes Roland Garros exactamente como o René Lacoste, juro que nao consegui fazer ninguem compreender que estava a dar a resposta certa.
Terceiro foi o J.W., meu patrao, que quis oferecer-me um prémio de produtividade; mas, nao podendo esticar-se muito em termos pecuniários, propos-me tres dias «in loo». Tres dias «in loo»? Obviamente, pareceu-me despropositado, e pedi que esclarecesse. Afinal, era «in lieu»: «holidays in lieu of money prize». «Uma expressao francesa», explicou, «que aqui usamos para dizer instead of». Procurei fazer-lhe ver que nao havia nada de errado em dizer instead of.
terça-feira, 30 de junho de 2009
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Helmetómetro
Já tinha notado que havia uns dias melhores, outros piores. Mas nao sabia que era possível medir o fenómeno cientificamente. Afinal, um destes dias, ao espreitar a montra de uma dessas lojas de gadgets, reparei num aparelhinho pequeno, que nao resisti a comprar, chamado helmetómetro.
Para além de todas as funçoes normais nos MP4, o helmetómetro indica ainda, numa escala de 0 a 10, qual o grau de integraçao do Capacete no país que o acolhe (vem pré-definido para o UK, mas pode comprar-se o software para outros países). Os primeiros resultados sao contraditórios:
Sensibilidade à precipitaçao atmosférica – 7
É igualzinho ao livro do Astérix. Nao só já nao me chateia nada, como nao corro, e sou muito bem capaz de passear debaixo desta espécie de humidade, que aí no continente chamam chuva.
Reacçao à morte do Michael Jackson – 1
De repente, percebi que aqui toda a gente amava o Jacko. O país está suspenso, à espera do resultado da segunda autópsia. Entretanto, segundo parece, nas tabelas de vendas da próxima semana, os dez discos mais vendidos serao todos dele. Eu nao me comovo: sempre fui fan do outro.
Comportamento em frente às portas – 9
Já deixei de pular em frente às portas que sao para puxar, e faz imenso tempo que nao rebento uma dobradiça, puxando aquelas que devia empurrar. Os comerciantes de Nantwich e o senhor Prior apoiaram-me desde o início e estao muito orgulhosos dos meus progressos.
Acentuaçao de palavras compridas - 3
Logo agora que eu aprendi a dizer catholic pondo a tónica no «a» em vez do «o», parece que dei de caras com mais trinta mil dessas palavras, aparentemente familiares, mas que se acentuam irritantemente ao lado do que parece evidente. A título de exemplo, podem experimentar: proprietary, gravitative e Niagara Falls.
Para além de todas as funçoes normais nos MP4, o helmetómetro indica ainda, numa escala de 0 a 10, qual o grau de integraçao do Capacete no país que o acolhe (vem pré-definido para o UK, mas pode comprar-se o software para outros países). Os primeiros resultados sao contraditórios:
Sensibilidade à precipitaçao atmosférica – 7
É igualzinho ao livro do Astérix. Nao só já nao me chateia nada, como nao corro, e sou muito bem capaz de passear debaixo desta espécie de humidade, que aí no continente chamam chuva.
Reacçao à morte do Michael Jackson – 1
De repente, percebi que aqui toda a gente amava o Jacko. O país está suspenso, à espera do resultado da segunda autópsia. Entretanto, segundo parece, nas tabelas de vendas da próxima semana, os dez discos mais vendidos serao todos dele. Eu nao me comovo: sempre fui fan do outro.
Comportamento em frente às portas – 9
Já deixei de pular em frente às portas que sao para puxar, e faz imenso tempo que nao rebento uma dobradiça, puxando aquelas que devia empurrar. Os comerciantes de Nantwich e o senhor Prior apoiaram-me desde o início e estao muito orgulhosos dos meus progressos.
Acentuaçao de palavras compridas - 3
Logo agora que eu aprendi a dizer catholic pondo a tónica no «a» em vez do «o», parece que dei de caras com mais trinta mil dessas palavras, aparentemente familiares, mas que se acentuam irritantemente ao lado do que parece evidente. A título de exemplo, podem experimentar: proprietary, gravitative e Niagara Falls.
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Efemérides 2
Por estranho que pareça, o aniversário da Pmarques nao foi a única grande celebraçao internacional do fim-de-semana (aliás, alguém devia ocupar-se de organizar melhor o calendário, de forma a evitar sobreposiçoes deste género).
Talvez tenham reparado que, logo no dia seguinte, comemorámos o solstício de Verao. Em Stonehenge, pela fresquinha, reuniram-se mais de 36 mil pessoas para assistir ao nascer do sol do dia mais longo do ano.

Diga-se em abono da verdade, desta vez o Capacete nao andava na lua.
Nao vao agora por-se a espalhar a notícia, mas ele lava a loiça à mao. No seu posto de trabalho, tem à frente uma janela que dá para o sol poente, e ao lado um micro-ondas inoxidável, com leds verdes a marcar horas e minutos. Nao havia melhor posiçao para constatar que os dias estavam a crescer.
Aí em Lisboa, várias pessoas nos tinham assustado com o tamanho dos dias, por estas paragens. Acho que todos sofremos desta tendencia para pensar sempre no pior: e realmente, no Inverno, a coisa fica preta (rapidamente). Nao é só a latitude, parece que a longitude também joga a desfavor, devido a nao-sei-que do fuso horário. Mas isto do sistema solar é uma coisa muito equilibradinha e, vai-se a ver, depois há seis meses em que é tudo ao contrário (nao me peçam pormenores, que as minhas memórias do Planetário devem ter sido engolidas por um buraco-negro).
Sei dizer que, agoraqui, o sol agora anda a nascer um bocadinho antes das cinco da manha, e só se poe um poucochinho depois das dez da noite. Mas, mais espantoso que isso, é que nao escurece definitivamente antes das 23:30, e começa a clarear logo pelas 3:30. Estou um bocado fascinado com esta luz boreal e começo mesmo a pensar se, nas próximas férias, em vez do sul, nao rumamos é mais para o norte...
Também no domingo, comemorou-se em quase todo o mundo o dia do pai. É verdade: nao sei se já se tinham apercebido mas, para além do Vaticano (o país com menor indíce de pais/m2 do mundo), só Portugal e Espanha é que o celebram a 19 de Março, no dia de S. José... E é, aliás, uma tradiçao bem bonita, que nunca me passaria pela cabeça contestar: afinal, o marido de Maria encarna na perfeiçao o papel do pai de família (e nao digo mais nada, para nao ser acusado de nada).
Qualquercaminho, no anglo-saxónico mundo, este dia comemora-se por sugestao de uma moça (tinha que ser, nao é?), cujo pai criou sozinho os seus sete filhos, depois da mae ter morrido. Da primeira vez, parece que se festejou mesmo no dia de anos do senhor; depois foi instituído no domingo mais próximo, que é o 3º de Junho.
Isto tudo tao pormenorizado para explicar que, pelos vistos, solstício de Verao e dia do pai no mesmo dia é pura coincidencia. Feliz coincidencia. Já nao me lembro se foi o Sigmund ou a Sátya (mas, a julgar pelo tempo que levo sem falar com a Sátya, deve mesmo ter sido o Sigmund) quem me disse que, na cabeça das crianças há uma associaçao qualquer entre o pai e o astro-rei. Por causa disso, eu sempre me orgulhei muito dos desenhos com enormes sóis respandescentes, que a Sara trazia do infantário. Mas também adorei este, que a Matilde fez na nursery e me ofereceu no domingo. Chama-se «Daddy and I at the beach». Já falta pouco.
Talvez tenham reparado que, logo no dia seguinte, comemorámos o solstício de Verao. Em Stonehenge, pela fresquinha, reuniram-se mais de 36 mil pessoas para assistir ao nascer do sol do dia mais longo do ano.

Diga-se em abono da verdade, desta vez o Capacete nao andava na lua.
Nao vao agora por-se a espalhar a notícia, mas ele lava a loiça à mao. No seu posto de trabalho, tem à frente uma janela que dá para o sol poente, e ao lado um micro-ondas inoxidável, com leds verdes a marcar horas e minutos. Nao havia melhor posiçao para constatar que os dias estavam a crescer.
Aí em Lisboa, várias pessoas nos tinham assustado com o tamanho dos dias, por estas paragens. Acho que todos sofremos desta tendencia para pensar sempre no pior: e realmente, no Inverno, a coisa fica preta (rapidamente). Nao é só a latitude, parece que a longitude também joga a desfavor, devido a nao-sei-que do fuso horário. Mas isto do sistema solar é uma coisa muito equilibradinha e, vai-se a ver, depois há seis meses em que é tudo ao contrário (nao me peçam pormenores, que as minhas memórias do Planetário devem ter sido engolidas por um buraco-negro).
Sei dizer que, agoraqui, o sol agora anda a nascer um bocadinho antes das cinco da manha, e só se poe um poucochinho depois das dez da noite. Mas, mais espantoso que isso, é que nao escurece definitivamente antes das 23:30, e começa a clarear logo pelas 3:30. Estou um bocado fascinado com esta luz boreal e começo mesmo a pensar se, nas próximas férias, em vez do sul, nao rumamos é mais para o norte...
Também no domingo, comemorou-se em quase todo o mundo o dia do pai. É verdade: nao sei se já se tinham apercebido mas, para além do Vaticano (o país com menor indíce de pais/m2 do mundo), só Portugal e Espanha é que o celebram a 19 de Março, no dia de S. José... E é, aliás, uma tradiçao bem bonita, que nunca me passaria pela cabeça contestar: afinal, o marido de Maria encarna na perfeiçao o papel do pai de família (e nao digo mais nada, para nao ser acusado de nada).
Qualquercaminho, no anglo-saxónico mundo, este dia comemora-se por sugestao de uma moça (tinha que ser, nao é?), cujo pai criou sozinho os seus sete filhos, depois da mae ter morrido. Da primeira vez, parece que se festejou mesmo no dia de anos do senhor; depois foi instituído no domingo mais próximo, que é o 3º de Junho.
Isto tudo tao pormenorizado para explicar que, pelos vistos, solstício de Verao e dia do pai no mesmo dia é pura coincidencia. Feliz coincidencia. Já nao me lembro se foi o Sigmund ou a Sátya (mas, a julgar pelo tempo que levo sem falar com a Sátya, deve mesmo ter sido o Sigmund) quem me disse que, na cabeça das crianças há uma associaçao qualquer entre o pai e o astro-rei. Por causa disso, eu sempre me orgulhei muito dos desenhos com enormes sóis respandescentes, que a Sara trazia do infantário. Mas também adorei este, que a Matilde fez na nursery e me ofereceu no domingo. Chama-se «Daddy and I at the beach». Já falta pouco.
terça-feira, 23 de junho de 2009
Skool Daze
Este ano lectivo está quase a terminar, mas vai ficar na memória de todos nós.
A Matilde é finalista da creche. Fizeram com ela um trabalho extraordinário: entra contente e sai contente, todos os dias; percebe tudo o que lhe dizem e fala sem inibiçoes; come bem, brinca concentrada, faz palhaçadas, cumpre regras; adora as educadoras e é inseparável do seu grupo de amigos.
Recebeu a Maisy para um tea. Foi tomar um tea a casa do Thomas. A mae dele estava um pouco atrapalhada com o irmao mais novo, mas diz que eles nao deram trabalho nenhum. Aparentemente, passaram o tempo todo no jardim, pulando na cama-elástica: um de cada vez, pedindo licença por favor e dizendo obrigado um ao outro de cada vez que trocavam.
A Matilde, preparem-se!, nao é mais a bebé que veio daí. Em Maio começou no ballet. Em Setembro entra na escola oficial. Já tem um uniforme igual ao da Sara e sente-se muito orgulhosa. Na verdade, fica de morrer a rir. As duas estao entusiasmadíssimas com a ideia de serem colegas.
Também a Sara se integrou muito bem: dá-se tanto com os rapazes como com as raparigas, gosta dos professores e das várias disciplinas; destacou-se em Matemática e parece que conseguiu mesmo por-se ao nível dos outros em Ingles.
Aliás, a Sara mantem a sua paixao pela leitura, e agora devora os livros com a mesma velocidade em qualquer das linguas. Nós já passámos a comprar usados e ela já começou a reler os preferidos. No fim-de-semana passado, fizemo-la leitora da biblioteca municipal.
Para nossa maior alegria, concilia essas intelectualices com a prática regular de desporto: aqui aprendeu nataçao, rugby, basketball e cricket (ou muito me engano ou ainda vai ao golf), melhorou muito a bicicleta e os patins em linha. Continua a adorar o ginásio, que aqui tem o atractivo adicional do táxi, da carteira e do telemóvel.
Talvez ainda seja cedo para estas conclusoes, mas acho que os seus níveis de confiança, e até de auto-estima, estao a subir. Parecem mais autónomas, e ao mesmo tempo mais sociáveis. Sentimos que as escolas, para além do ensino propriamente dito, tem realmente um projecto bem estruturado para a formaçao destas pequenas pessoas.
A Matilde é finalista da creche. Fizeram com ela um trabalho extraordinário: entra contente e sai contente, todos os dias; percebe tudo o que lhe dizem e fala sem inibiçoes; come bem, brinca concentrada, faz palhaçadas, cumpre regras; adora as educadoras e é inseparável do seu grupo de amigos.
Recebeu a Maisy para um tea. Foi tomar um tea a casa do Thomas. A mae dele estava um pouco atrapalhada com o irmao mais novo, mas diz que eles nao deram trabalho nenhum. Aparentemente, passaram o tempo todo no jardim, pulando na cama-elástica: um de cada vez, pedindo licença por favor e dizendo obrigado um ao outro de cada vez que trocavam.
A Matilde, preparem-se!, nao é mais a bebé que veio daí. Em Maio começou no ballet. Em Setembro entra na escola oficial. Já tem um uniforme igual ao da Sara e sente-se muito orgulhosa. Na verdade, fica de morrer a rir. As duas estao entusiasmadíssimas com a ideia de serem colegas.
Também a Sara se integrou muito bem: dá-se tanto com os rapazes como com as raparigas, gosta dos professores e das várias disciplinas; destacou-se em Matemática e parece que conseguiu mesmo por-se ao nível dos outros em Ingles.
Aliás, a Sara mantem a sua paixao pela leitura, e agora devora os livros com a mesma velocidade em qualquer das linguas. Nós já passámos a comprar usados e ela já começou a reler os preferidos. No fim-de-semana passado, fizemo-la leitora da biblioteca municipal.
Para nossa maior alegria, concilia essas intelectualices com a prática regular de desporto: aqui aprendeu nataçao, rugby, basketball e cricket (ou muito me engano ou ainda vai ao golf), melhorou muito a bicicleta e os patins em linha. Continua a adorar o ginásio, que aqui tem o atractivo adicional do táxi, da carteira e do telemóvel.
Talvez ainda seja cedo para estas conclusoes, mas acho que os seus níveis de confiança, e até de auto-estima, estao a subir. Parecem mais autónomas, e ao mesmo tempo mais sociáveis. Sentimos que as escolas, para além do ensino propriamente dito, tem realmente um projecto bem estruturado para a formaçao destas pequenas pessoas.
sábado, 20 de junho de 2009
Nhec, nhec...
Algum leitor fiel, que visita o blogue também ao fim-de-semana, em vez de o usar como mero interregno do trabalho, vai ter o privilégio de ser o primeiro a saber afinal o que é o nhec, nhec...
sexta-feira, 19 de junho de 2009
20 de Junho
É quase certo que a aniversariante está na praia.
Mas, mesmo assim, 20 de Junho é dia de festa neste blogue.
Hip-Hip, Hurra!
Mas, mesmo assim, 20 de Junho é dia de festa neste blogue.
Hip-Hip, Hurra!
quinta-feira, 18 de junho de 2009
À deriva?
Um amigo meu foi ver a exhibition, em Londres.
O outro ouviu falar de uma certa exibiçao, em Monsanto.
Ambos concluíram que eu devo estar mesmo a fazer alguma falta.
O outro ouviu falar de uma certa exibiçao, em Monsanto.
Ambos concluíram que eu devo estar mesmo a fazer alguma falta.